terça-feira, 31 de março de 2015

Como passar na OAB?

O Artigo 8º da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 estabelece que, para inscrição como advogado é necessário, entre outras coisas aprovação em Exame de Ordem. E mesmo que você não queira exercer a advocacia, dependendo da carreira jurídica que deseja seguir, provavelmente um dos requisitos é possuir inscrição na OAB.
Como passar na OAB? Certamente essa pergunta permeia a mente de muitos estudantes de direito. Lembro-me que quando estava prestes a concluir o curso, esse era um questionamento que sempre rondava o meu pensamento, dava um frio na barriga só de pensar na prova. E tenho convicção que, neste momento, há muitos colegas passando por esse sentimento. Por isso gostaria de compartilhar com vocês qual foi a estratégia que usei para alcançar este objetivo.
O primeiro passo, ter humildade para aprender, você jamais será capaz de aprender se pensar que sabe tudo, Paulo Freire, considerado um dos mais notáveis pensadores da pedagogia mundial (quer você o admire ou não), foi o brasileiro mais homenageado da história, ele recebeu 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford, entre outras, e, mesmo com todas as honras e títulos que alcançou, ele tinha como uma de suas propostas pedagógicas a educação com base na humildade. Jesus Cristo certa vez disse: "Bem aventurados os humildes". E ele tinha razão.
O seguinte, consiste em estudar (de verdade) na faculdade, parece óbvio, mas muitas pessoas não conseguem aprovação, porque simplesmente não estudam, retire o máximo de seus professores, revise os conteúdos. Somente isso, não lhe garantirá aprovação no exame da Ordem, mas lhe dará uma base muito forte para os seus estudos mais aprofundados.
Após concluir a faculdade, ou mesmo antes, no último ano, visto que é permitido ao candidato prestar o exame a partir do 9º período do curso de direito, responda provas anteriores e questões propostas em livros com este fim.
Seja objetivo, não adianta tentar ler tudo o que você não conseguiu ler durante o curso, isso você deverá fazer durante toda sua vida como operador do direito, leia os resumos e faça um curso preparatório para suprir as suas fraquezas na formação (posso receber críticas nesse ponto, mas isso funciona)
E também, foque seus estudos naquilo em que você tem mais aptidão, concentre esforços no seu potencial e não nas limitações, fui um bom aluno de direito constitucional, e advinha em qual especialidade eu fiz minha prova da segunda fase? Exatamente, em direito constitucional. Mas independentemente de você gostar ou não da disciplina de constitucional, obrigue-se a conhecer a constituição, isso fará enorme diferença em sua prova, bem como na sua vida profissional.
Outro ponto não menos importante, conheça o Código de Ética e Disciplina da OAB, é fundamental saber os princípios éticos da sua futura profissão, além de lhe garantir dez pontos na primeira fase do exame.
Seja esforçado, não me considero brilhante, e tão pouco tive berço de ouro, mas apenas para compartilhar um pouco da minha vida com vocês, na minha época de faculdade, eu trabalhava em dois períodos (lecionava em duas escolas) e estudava no outro, não tinha muito tempo disponível, por isso, estudava pelo menos em uma ou duas madrugadas por semana em pelo menos dois fins de semana no mês. Na reta final para a segunda fase, solicitei licença de dez dias nos meus empregos, e durante esse período estudava, diariamente, das 8h às 21h.
Por fim, no dia da prova, mantenha-se calmo e confie em você, tenha fé, se estudou, a prova irá “rir” pra você. Responda todas as perguntas, não deixe questões em branco, independentemente de saber a resposta.
Diferentemente de outras provas de concursos, na primeira fase (prova de múltipla escolha) do exame, uma questão errada não anula uma certa, por isso, se não sabe a resposta, "chute" por exclusão. Na segunda fase (prova discursiva), também não deixei nenhuma pergunta sem resposta, mas também não diga nenhum absurdo por desespero, extraia da própria pergunta alguma resposta (mesmo que a refaça com outras palavras), isso poderá lhe garantir alguns décimos importantes. 
Cada um pode traçar sua própria estratégia, essa foi a minha, para glória de Deus, com ela, fui aprovado no primeiro e único Exame da Ordem que prestei em minha vida. Força, fé, foco, dedicação e bons estudos, você também alcançará seus objetivos.

No mais, ainda que você não concorde com Exame de Ordem, ou entenda que é injusto (respeito sua opinião), contudo, ele está aí, e é uma etapa a ser ultrapassada. Espero que essas dicas sejam úteis aos seus estudos.

“Quero que meu filho seja advogado ou professor”


O artigo 133 da Constituição Federal de 1988, estabelece que: “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.
E também nas faculdades é ensinado com muita propriedade que o advogado é o primeiro juiz da causa, ainda que seja uma visão romântica, devo concordar com a expressão do ilustre ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, que disse em audiência com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, “do ponto de vista do juiz, não existe auxiliar melhor da sentença que um bom advogado”.
Tudo isso é verdade, porém o que falta à boa parte dos advogados é o reconhecimento (financeiro) da profissão. Tendo em vista que, fora do “glamour” dos Tribunais, onde somos chamados de “doutores”, a realidade é bem diferente.
Sou advogado há quase três anos, e mesmo com toda dedicação e esforço, tem sido difícil me manter na profissão, observando que apesar de obter algumas conquistas, que refletem esse trabalho, os rendimentos são poucos, e ainda bem menores da época em que eu era professor de ensino médio e fundamental (profissão muito honrada e que também carece de reconhecimento de toda a sociedade).
Certa vez o nobre Senador Cristovam Buarque disse algo semelhante a isto: “no dia em os pais tomarem um filho recém-nascido nos braços e dizer a ele você será professor, teremos um país melhor e mais justo para viver” (perdoe-me vossa excelência se não foram exatamente essas palavras, mas a ideia, sabiamente transmitida, certamente fora essa).
Pois bem, ainda hoje, a maioria das pessoas, expressam o desejo que seus filhos sejam médicos, engenheiros, e advogados (talvez por desconhecimento da dificuldade de exercer a advocacia atualmente). Provavelmente, alguns advogados bem sucedidos (e sem demagogia, fico feliz por aqueles que obtiveram sucesso na advocacia), teceriam uma crítica veemente ao meu discurso de reflexão e desabafo, mas não ficarei intimidado em apresentar meu pensamento aos meus caros colegas.
Antes de ser advogado fui técnico eletrotécnico (técnico de manutenção elétrica), e como disse, também professor, e fiquei extremamente envergonhado quando participei de uma entrevista em um escritório de médio porte, e para minha surpresa fora oferecido a mim um salário vergonhoso, com a seguinte "vantagem": ganhos de 10% nas causas que eu captasse para o escritório.
Com todo respeito aos meus colegas proprietários de escritórios, entendo que arcam com os custos de manutenção e naturalmente almejam o lucro, mas "somos" os primeiros a desvalorizar nossa classe, para ter ideia do desrespeito, o salário que me foi oferecido era bem menor do que recebia quando era ainda um técnico de nível médio.
Em uma outra ocasião, quando cobrei o valor de R$ 500,00 para ir a uma diligência com cliente a uma delegacia, foi-me ofertado para o serviço o valor de R$ 100,00, e que se tivesse aceitado tal insulto, estaria corroborando com o desrespeito à nossa profissão.
Outro dia Li aqui mesmo neste espaço que havia advogados que aceitavam realizar audiências por R$ 20,00. Queridos e amados amigos colegas, não teremos a valorização da sociedade, enquanto nós mesmos não nos valorizarmos.
Também li um brilhante artigo que dizia entre outras coisas a frase: “advogar não é para qualquer um”, e realmente concordo com essa ideia, mas entendo que possa ser completada das seguintes maneiras:
1. “Advogar não é para qualquer um”, mas para quem possui tradição familiar nesta profissão, os que possuem "berço" (ou seja, que herdaram um escritório de família e um nome consolidado no mercado);
2. “Advogar não é para qualquer um”, mas para quem tem paciência (e estômago forte) para esperar pela lentidão dos tramites processuais (a tradução fica a critério de cada um);
3. “Advogar não é para qualquer um”, mas para quem não necessita de retorno financeiro imediato (fundamento essa expressão na minha experiência e de inúmeros relatos de amigos).
De toda forma, desejo aos meus caros parceiros de profissão toda sorte bênçãos, muito sucesso, e que esse texto seja um alento, uma esperança, para que um dia a advocacia, assim como o magistério, possa receber o reconhecimento merecido, que o concurso não seja nosso único refúgio de dignidade, mas uma opção na carreira jurídica.
E que possamos dizer: “quero que meu filho seja advogado ou professor”.