O artigo 133 da Constituição Federal de 1988, estabelece que: “O advogado é
indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e
manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.
E também nas
faculdades é ensinado com muita propriedade que o advogado é o primeiro juiz da
causa, ainda que seja uma visão romântica, devo concordar com a expressão do
ilustre ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, que disse em
audiência com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
que, “do ponto de vista do juiz, não existe auxiliar melhor da sentença que um
bom advogado”.
Tudo isso é
verdade, porém o que falta à boa parte dos advogados é o reconhecimento
(financeiro) da profissão. Tendo em vista que, fora do “glamour” dos Tribunais,
onde somos chamados de “doutores”, a realidade é bem diferente.
Sou advogado
há quase três anos, e mesmo com toda dedicação e esforço, tem sido difícil me
manter na profissão, observando que apesar de obter algumas conquistas, que
refletem esse trabalho, os rendimentos são poucos, e ainda bem menores da época
em que eu era professor de ensino médio e fundamental (profissão muito honrada
e que também carece de reconhecimento de toda a sociedade).
Certa vez o
nobre Senador Cristovam Buarque disse algo semelhante a isto: “no dia em os
pais tomarem um filho recém-nascido nos braços e dizer a ele você será
professor, teremos um país melhor e mais justo para viver” (perdoe-me vossa
excelência se não foram exatamente essas palavras, mas a ideia, sabiamente
transmitida, certamente fora essa).
Pois bem,
ainda hoje, a maioria das pessoas, expressam o desejo que seus filhos sejam
médicos, engenheiros, e advogados (talvez por desconhecimento da dificuldade de
exercer a advocacia atualmente). Provavelmente, alguns advogados bem sucedidos
(e sem demagogia, fico feliz por aqueles que obtiveram sucesso na advocacia),
teceriam uma crítica veemente ao meu discurso de reflexão e desabafo, mas não
ficarei intimidado em apresentar meu pensamento aos meus caros colegas.
Antes de ser
advogado fui técnico eletrotécnico (técnico de manutenção elétrica), e como
disse, também professor, e fiquei extremamente envergonhado quando participei
de uma entrevista em um escritório de médio porte, e para minha surpresa fora
oferecido a mim um salário vergonhoso, com a seguinte "vantagem":
ganhos de 10% nas causas que eu captasse para o escritório.
Com todo
respeito aos meus colegas proprietários de escritórios, entendo que arcam com
os custos de manutenção e naturalmente almejam o lucro, mas "somos"
os primeiros a desvalorizar nossa classe, para ter ideia do desrespeito, o
salário que me foi oferecido era bem menor do que recebia quando era ainda um
técnico de nível médio.
Em uma outra
ocasião, quando cobrei o valor de R$ 500,00 para ir a uma diligência com
cliente a uma delegacia, foi-me ofertado para o serviço o valor de R$ 100,00, e
que se tivesse aceitado tal insulto, estaria corroborando com o desrespeito à
nossa profissão.
Outro dia Li
aqui mesmo neste espaço que havia advogados que aceitavam realizar audiências
por R$ 20,00. Queridos e amados amigos colegas, não teremos a valorização da
sociedade, enquanto nós mesmos não nos valorizarmos.
Também li um
brilhante artigo que dizia entre outras coisas a frase: “advogar não é para
qualquer um”, e realmente concordo com essa ideia, mas entendo que possa ser
completada das seguintes maneiras:
1. “Advogar
não é para qualquer um”, mas para quem possui tradição familiar nesta
profissão, os que possuem "berço" (ou seja, que herdaram um
escritório de família e um nome consolidado no mercado);
2. “Advogar
não é para qualquer um”, mas para quem tem paciência (e estômago forte) para
esperar pela lentidão dos tramites processuais (a tradução fica a critério de
cada um);
3. “Advogar
não é para qualquer um”, mas para quem não necessita de retorno financeiro
imediato (fundamento essa expressão na minha experiência e de inúmeros relatos
de amigos).
De toda
forma, desejo aos meus caros parceiros de profissão toda sorte bênçãos, muito
sucesso, e que esse texto seja um alento, uma esperança, para que um dia a
advocacia, assim como o magistério, possa receber o reconhecimento merecido,
que o concurso não seja nosso único refúgio de dignidade, mas uma opção na
carreira jurídica.
E que
possamos dizer: “quero que meu filho seja advogado ou professor”.

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