sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Mala sem alça!


Não sei quem criou a expressão “mala sem alça”, mas certamente faz muito sentido. Pense como seria se você necessitasse carregar uma mala sem alça (e acrescentando a dificuldade, sem rodinhas). Realmente, deve ser uma coisa muito complicada, mas em sentido figurado, é o que fazemos todos os dias...

Tive a inspiração para escrever esse texto hoje pela manhã (11.12.15), eu estava dirigindo meu carro em uma via principal, quando fui chamado a atenção ao ouvir o barulho da a sirene de uma ambulância, imediatamente abri passagem para o veículo, e logo em seguida apareceu o “mala sem alça”, um condutor, “colado” atrás da ambulância do SAMU, “aproveitando-se” da ocasião para sair mais rápido do trânsito. Esse condutor, deixa uma clara a mensagem aos demais condutores, “eu sou o esperto e vocês os idiotas”.

Ao fazer uma analise simplória, penso que nosso país caminha em total degradação moral, também devido a pessoas que se consideram mais espertas que as outras, o tipo que analisamos, o “mala sem alça”.

Lembro de uma outra ocasião em que estive em um estacionamento de Shopping Center, e enquanto esperava a liberação de uma vaga para estacionar fui surpreendido por uma pessoa mais “esperta” do eu tomando a minha vaga. Indignado, tomei uma postura que não tomaria hoje, dirigi-me até a pessoa que teve tal “esperteza” e educadamente perguntei: “por acaso você não percebeu que eu estava aguardando pela vaga? Não viu que eu sinalizava (com a seta do veículo)? A resposta que eu obtive da pessoa foi a seguinte: “eu estou com pressa, e fui mais esperto”. Decepcionado, quase automaticamente, retruquei: “verdade, por conta de pessoas espertas como você, o Brasil encontra-se como está”.

Esse tipo de ser humano, o “mais esperto”, é o típico “mala sem alça” que encontramos no cotidiano, aquele que “fura” fila, que estaciona na vaga de idosos, que utiliza carteira de estudante falsa, entre outros. No entanto, o que mais nos prejudica são os políticos malas, o que, por mais redundante que pareça, não é um pleonasmo.

É incrível a capacidade dos nossos políticos de ainda nos surpreender. A famosa “carta do Temer” que o diga, a qual abro um parêntese para utilizar um ridículo jargão, que diz: “seria cômica se não fosse trágica”, pois é impressionante como um sujeito que poderá vir a ser Presidente do Brasil (caso a atual Presidenta sofra o impeachment), em nenhum momento mostra-se preocupado com as questões relevantes e os problemas sociais do país, e simplesmente fez lamúrias, a exemplo de como se sente (um vice decorativo), essa é a postura do “mala sem alça” (http://g1.globo.com/política/noticia/2015/12/leia-integra-da-carta-enviada-pelo-vice-michel-temer-di...)

Mais quando pensamos que já vimos de tudo, então, assistimos antes da luta entre José Aldo e Conor McGregor no UFC, a troca de tapas e bate-boca entre deputados no Conselho de “Ética”. (http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/09/política/1449669086_275085.html), e ainda, lamentavelmente, observamos de camarote, urnas serem quebrados por deputados durante votação para comissão do impeachment.(http://noticias.r7.com/brasil/durante-confusao-na-câmara-deputados-quebram-urnas-da-comissao-de-impe....

Agora, imagine a seguinte cena, indignado com a demora na fila para votar, um cidadão, nos termos do artigo 5º, LXXIII, da Constituição Federal, em um acesso de fúria, passa a danificar uma urna, um patrimônio público, o que aconteceria a este eleitor? (Certamente seria preso e obrigado a pagar o prejuízo ao erário público).

E vejam bem, nem falamos sobre discurso da Presidenta Dilma na ONU (um dos poucos de improviso), sobre energia sustentável, quando sugere a ideia de criar tecnologia para estocar vento. (http://www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2015/10/noticias/pais/227670-dilma-sugere-estoque-de-vent....


Em suma, o “mala sem alça”, o “esperto”, o "sem noção", o desonesto, aquele que sempre quer tirar vantagem da situação, consegue fazer coisas inimagináveis aos seres mortais. E o pior, precisamos carregar esse “mala” todos os dias.

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